
“Deixa o tempo passar, deixa que o tempo sara tudo!”
Nunca percebi esta frase, este conceito ou mesmo concelho, nunca percebi porque para mim nunca fez, faz ou virá a fazer sentido! O tempo sara tudo? Será que falamos do mesmo tempo que faz feridas, que magoa, que cria ilusões na realidade abruta do sentimento, será o mesmo tempo? Preferiria dizer então de uma outra forma, “Deixa o tempo passar, deixa que ele sara as feridas que o próprio tempo criou!” Assim concordaria muito mais, assim ficaria muito mais elucidado face á função curandeira do tempo! O tempo não sara, o tempo não cura, o tempo simplesmente enfraquece, enfraquece o poder que deriva de tudo o resto…
“Deixa, deixa que o tempo acaba por fazer esquecer…”
Simplesmente irreal, irrealidade pura! Nada se esquece, apenas se despreza, apenas deixa de fazer sentido ou até mesmo necessidade... Nada se esquece, muito pelo contrário, tudo se recorda! Recordar é viver, certo? Errado, recordar é morrer angustiantemente como um corpo no deserto, como um corpo que anseia pela última gota de água que poderá existir mais á frente, um metro mais á frente! Recordar é como morrer lentamente, deixa de fazer sentido tudo o que aparece porque apenas nos focamos na recordação, uma recordação que nos consome, uma recordação que nos afoga as visões como um lago negro onde o mar não entra, onde não existe qualquer renovação sentimental… O sol brilhará sempre, mas sempre escondido, sempre á vista de todos e ao mesmo tempo fugidos dos olhos de quem recorda o seu brilho num determinado dia, numa determinada hora ou ate num mesmo momento, a recordação é uma fotografia tirada e posta na moldura de um espaço que jamais poderá ser completado, porque a recordação não completa, esvazia o texto fixando-se apenas no prefácio de uma história completa de “nadas”, de uma história cheia de vazios e holofotes que espalhem a imensidão de sentimentos tal como um sala de teatro em que se declama para um espaço de cor e paixão, ódio e horror, raiva e histórias, mais histórias de vidas de alguém que declamou toda a sua raiva e paixão marcando o seu ódio pela história que ninguém vivenciou! E estranhamente eis que surgimos a expressar o maior carinho por essa sala, essa sala que nem sequer entramos, que nem sequer ousamos tentar entrar, mas falamos, revoltos em ideologias e forças abstractas que nos garantem uma vitória muito antes de a batalha começar! E voltamos a recordar, a recordar de como tudo seria bom se a sala estivesse cheia, esquecendo o que de bom poderá acontecer se olharmos nos olhos de quem se senta nessa sala para nos ver a declamar a nossa raiva, o nosso ódio, a nossa paixão e a nossa história. Recordar é viver eternamente a morte, a nossa própria morte!
Nunca percebi esta frase, este conceito ou mesmo concelho, nunca percebi porque para mim nunca fez, faz ou virá a fazer sentido! O tempo sara tudo? Será que falamos do mesmo tempo que faz feridas, que magoa, que cria ilusões na realidade abruta do sentimento, será o mesmo tempo? Preferiria dizer então de uma outra forma, “Deixa o tempo passar, deixa que ele sara as feridas que o próprio tempo criou!” Assim concordaria muito mais, assim ficaria muito mais elucidado face á função curandeira do tempo! O tempo não sara, o tempo não cura, o tempo simplesmente enfraquece, enfraquece o poder que deriva de tudo o resto…
“Deixa, deixa que o tempo acaba por fazer esquecer…”
Simplesmente irreal, irrealidade pura! Nada se esquece, apenas se despreza, apenas deixa de fazer sentido ou até mesmo necessidade... Nada se esquece, muito pelo contrário, tudo se recorda! Recordar é viver, certo? Errado, recordar é morrer angustiantemente como um corpo no deserto, como um corpo que anseia pela última gota de água que poderá existir mais á frente, um metro mais á frente! Recordar é como morrer lentamente, deixa de fazer sentido tudo o que aparece porque apenas nos focamos na recordação, uma recordação que nos consome, uma recordação que nos afoga as visões como um lago negro onde o mar não entra, onde não existe qualquer renovação sentimental… O sol brilhará sempre, mas sempre escondido, sempre á vista de todos e ao mesmo tempo fugidos dos olhos de quem recorda o seu brilho num determinado dia, numa determinada hora ou ate num mesmo momento, a recordação é uma fotografia tirada e posta na moldura de um espaço que jamais poderá ser completado, porque a recordação não completa, esvazia o texto fixando-se apenas no prefácio de uma história completa de “nadas”, de uma história cheia de vazios e holofotes que espalhem a imensidão de sentimentos tal como um sala de teatro em que se declama para um espaço de cor e paixão, ódio e horror, raiva e histórias, mais histórias de vidas de alguém que declamou toda a sua raiva e paixão marcando o seu ódio pela história que ninguém vivenciou! E estranhamente eis que surgimos a expressar o maior carinho por essa sala, essa sala que nem sequer entramos, que nem sequer ousamos tentar entrar, mas falamos, revoltos em ideologias e forças abstractas que nos garantem uma vitória muito antes de a batalha começar! E voltamos a recordar, a recordar de como tudo seria bom se a sala estivesse cheia, esquecendo o que de bom poderá acontecer se olharmos nos olhos de quem se senta nessa sala para nos ver a declamar a nossa raiva, o nosso ódio, a nossa paixão e a nossa história. Recordar é viver eternamente a morte, a nossa própria morte!
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