domingo, 13 de setembro de 2009


E nisto eis que surge algo, uma metáfora, um momento de eternidade escondida, nisto eis que surge uma história, uma junção de imagens e palavras, actos e decisões, momentos, apenas momentos, momentos de felicidade ou tristeza, de sabores e verdades, mentiras e desgostos.
E sem sonhar com nada o nada torna-se tudo, o tudo torna-se demasiado e como por acto natural da física, o demasiado começa a transbordar e a fazer-se sentir, sentir que é algo mais que o que sustenta conseguirá algum dia suster, manter, que algum dia conseguirá aconchegar sem que se perca nada do que tenta abraçar.

Existem vidas paralelas dentro de cada um, não existe um único ser que não tenho uma dupla vontade, uma dupla palavra, a duplicação de “quês” é o mais natural no ser humano, é uma defesa que penetra na sua natureza e o que nos mantém a ser os animais que sempre fomos, é isso que nos prende na nossa real e dura personagem, tudo o resto, tudo o resto são construções feitas e inventadas por alguém que quis mudar apenas a natureza das coisas.

Primeiro amor? Primeiro beijo? Li que é nessa altura que se mata tudo o que vem a seguir, que tudo o que vem a seguir ao primeiro amor torna-se apenas mais “um” e que nunca será o único e sentido sentimento que nos desperta as vontades de amar! Contudo afirmava que o primeiro amor não pode nunca voltar a ser vivido, e que depois de acabar nunca mais poderão as mesmas personagens se conjugar, se completar… Isso torna-se numa verdadeira morte ao amor, porque numa historia, numa breve historia em que vivi, reencontrei esse primeiro amor, e não senti que nada pudesse ser levado a não acontecer, senti que existiram os mesmos tremeres de mãos, os mesmos brilhos nos olhos, os mesmos medos e as mesmas vontades, senti as mesmas discordâncias de decisões, as mesmas complicações e os mesmos actos de quando tinha a idade de ter o primeiro amor! Será que o primeiro amor, o primeiro beijo tem idade para ser vivido? E se eu o vivi cedo de mais? Quantos de nós tem a possibilidade de saber quem era o primeiro amor de criança, sim de criança, porque eu lembro de ser tudo bom, do que não me lembro é do mau que vivi, porque existe a possibilidade de o primeiro amor nunca ter fim, e se assim for, então nunca poderá voltar a ser vivido porque encontra-se sempre a ser vivido e se for vivido eternamente nunca poderá levar o ódio á pessoa de quem nos deu o seu também primeiro amor!


Existe uma dificílima percentagem de possibilidade de passados anos o primeiro amor ser reencontrado, existe porque as vidas se separam, mas e quando se reencontrarem? O que será que passará na cabeça de cada um? Que sentimentos poderão ser sentidos? Será que o mundo de ambos será novamente uma avalanche de vontades aprisionadas e compactadas por todos os anos que não se viram? Não sei, isso são questões que eu faço mas que não consigo sequer responder, nem eu consegui reviver o meu primeiro amor, rejeitei essa possibilidade dias a fio, eu próprio afirmava que o passado era o passado e que nunca mais iria se repetir uma história que se viveu á 22 anos atrás, numa altura em que eu precisamente teria os meus 3 anos, os meus mágicos e inocentes 3 anos, mas a verdade é que depois de dias a fio a recusar qualquer pedaço de uma história em que o presente nos trouxe do passado, voltei a tremer, as pernas pareciam simples canas a oscilar com o abraçar do vento, as palavras teimaram em não sair, os olhos, esse encolheram-se e esperaram para que houvesse uma força para se levantarem… E aí, num momento em que ninguém esperava, em que ninguém contava, fiquei sozinho com o primeiro amor, os olhos fixaram-se, o mundo parou, as vozes entravam em atraso face ao movimento da boca, parecia que o tempo tinha acabado de parar… trocamos o nosso segundo “primeiro beijo”, levitamos, pelo menos eu levitei, e só pousei quando uma voz ao longe entra dentro da nossa bolha e me chama, como que pedindo para fazer um último favor… Sim, revivi o meu primeiro amor, e revivi-o de uma forma que não consigo explicar… Mas se a verdade é que não pode ser vivido porque existem necessidades paralelas, então eu digo o contrário, não por ser do contra, mas por achar que é assim que deve ser, natural, sem consciências do que é ou não correcto! Apenas porque é bom e nos faz sentir bem!

A natureza faz-nos ser conscienciosos de mais, consciência a mais torna a magia em ilusionismo, num acto de ilusão e falsidade, eu prefiro olhar com os meus olhos o espanto da magia, pensar como é que é possível de acontecer, em ficar admirado de cada vez que o coelho sai da cartola! Isso é o bom da vida, a inocência de não saber viver e continuar a viver…

E se tiver de ser, assim o será, o destino é um mapa com vários caminhos, mas todos se destinam a chegar ao destino marcado, á cruz vermelha do verdadeiro tesouro pirata!

Mas infelizmente surge a necessidade de crescer, e crescer significa tomar decisões, significa escolher entre as várias opções que existam sejam elas quais forem, mas simplesmente crescer é escolher… Deixar de soltar a gargalhada que assusta quem está ao nosso lado, deixar de ir ás cambalhotas desde o inicio do areal até á boca da onda que vem abraçar a beira-mar, deixar de… É deixar de acreditar no amor, crescer significa escolher o que mais nos convém e não o que nos faz melhor, e é esse sentimento que eu não quero sentir, não quero saber escolher mesmo que para isso tenha de bater com a cabeça no mesmo poste mais de uma, duas, ou até cem vezes, porque dessa forma vou sorrir quando tiver de sorrir… E o meu primeiro amor, bem, esse será sempre o primeiro amor, não quer dizer que eu decida que vai ser, pelo contrario, o primeiro amor impõe-se a ele mesmo, depois, bem, depois poderei ter vários amores que até poderão fazer com que não exista necessidade de pensar no primeiro amor, de me lembrar dele, mas ele irá sempre fazer parte, com o sem histórias, a contar aos netos ou não, mas como parte de mim, uma parte que até poderei esconder, mas uma eterna parte de mim… O primeiro amor é simplesmente o Peter Pan dos sentimentos, é o sentimento que se mantém eternamente criança, é o mágico e inocente sentimento que viverá para sempre na terra do nunca! E é aí que ele ficará, sempre pronto a ser recordado e revivido, mas somente na terra da magia, na terra em que o adulto volta a ser apenas criança, e ao passar para a realidade, para o mundo real, voltará tudo ao mesmo, às simples e constantes escolhas!

http://www.youtube.com/watch?v=A0lF65saBtk

http://www.youtube.com/watch?v=tylR55_7wZE&feature=related

Sem comentários:

Enviar um comentário