sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Grito...


Posso gritar?


É que sinto uma vontade louca de gritar tudo o que eu tenho preso na minha garganta, tudo o que me sufoca… Quero… Preciso de gritar as palavras mais estapafúrdias que possam ser interpretadas, ou mesmo que sejam incompreendidas, o que interessa é que eu preciso de gritar aos sete ventos todas estas palavras que bloqueiam o meu raciocínio. Sinto-me enclausurado dentro da minha mente, consigo amarrar-me sem amarras, deixei que as palavras que penetraram a minha vontade se tornam-se numa prisão… Não sei viver com isto… Não sei viver como um pássaro engaiolado, como um pássaro que vê o céu mas que não consegue voar por entre as nuvens que um dia provou. Conheço-te sem te conhecer, será? Isso é um passado bem presente, um passado que ficou gravado, mas que tento apagar, que tento eliminar… Então preciso de gritar, vou á janela e grito a Marte, grito forte para que se oiça em todo o sistema solar, em todo o Universo! Rejeito um futuro com base num passado, mas o que sei é que palavras que nunca disse ficam em ebulição dentro do meu ser, já não passa um dia se pensar no que não devia, em pensar no que era ou podia ser… Deixem-me gritar, preciso mesmo de gritar… Já não me consigo controlar, tornei-me num vampiro ansiando por mais um bocado, um bocado de um desejo, um bocado do seu doce mel de pecado.

É agora que grito?

Talvez a lua volte a brilhar, talvez o sol que brilha de dia se junte com a lua e os dois façam o eclipse do teu brilho, do brilho estrelar que jurei que nunca mais quereria ver, tento cumprir essa mesma jura, por mais dolorosa que seja, por mais injusto que te possa parecer, agora sou mais eu e menos tu! Não sei lidar com palavras que não digo, não sei caminhar por entre mapas errado, o que sei é que mesmo errado algum dia poderá estar certo, ou não fosse um relógio parado estar certo duas vezes por dia! E é esse desejo louco de tentar ser feliz que me sinto como um simples e insensível animal, possivelmente até serei esse mesmo animal, ou então, sou tão diferente do meu mundo que estando certo torno-me na pessoa mais errada, será?

Vou gritar...

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Soltei a raiva? Não, preciso de gritar as palavras certas, gritar tudo quanto me sufoca e para isso preciso de gritar sozinho junto ao meu precipício, preciso de matar literalmente este desejo de te querer devorar mesmo sabendo o que sei, sem palavras, sem raivas, sem histórias… Só porque sim, simplesmente por que sim, sem qualquer razão lógica, sem qualquer explicação… Mas infelizmente nem tudo o que se quer é possível e por isso prefiro matar esta ansiedade “parva” e inconsciente.

Então saio, olho o céu, vejo o Universo e o tão grandioso em que se transformou, já não peço desejos porque não quero que ninguém interfira, olho para as estrelas, brilham de uma forma diferente, chovem estrelas como que me encorajando a pedir o desejo, então poiso em mim mesmo toda a razão que outrora estudei, respiro fundo e grito…



http://www.youtube.com/watch?v=QEnWY744aHY

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