sábado, 11 de abril de 2009

Wave

Hoje chove como a muito tempo já não via chover , secalhar são as lágrimas secas que derramo sem nunca mostrar, tento ser forte, milhares de histórias derrotas e rostos que me acalmam. Ontem encontrei-te, encontrei-te numa altura em que o céu só por si já era cinzento, não precisava de chuva, as cordas já se encontravam de nó dado, era só actuar num drama que muitos actores tentam não interpretar , eu, eu decidi viver, viver cada segundo desse drama como se o tempo não avança-se mais, como se tudo a minha volta fosse ficar cinzento, negro, secalhar até mesmo incolor, uma vez que até o negro nos dá algo de inspirador, eu não tinha motivos para avançar em novo espaço, num espaço inseguro, a minha bóia tinha acabado de naufragar e eu, eu estava sem meio de manter a tona da água, tantas histórias sem personagens em toda a vida que leio, que escrevo, que me mata. Nada me parecia puro, sem vontade de tentar, sem vontade de lutar, mas a minha volta tudo me pedia para continuar, e sem forçar a um fim tão inevitável decidi dar mais um passo num jogo da macaca sem números para escolher, saltei a corda, joguei o pião...Já nada era puro nem natural, tudo era uma ilusão que se ofuscava de verdades inacabadas, verdades que me faziam sentir como se por aquela porta a minha visão de salvação voltasse a entrar para me salvar mais uma vez.... mas não entrou, não entrou e eu salvei quem um dia me deu a vida, lutei por mil e uma personagens novas, nesta novas histórias já não há dragões... estou pronto, de hoje não podia passar, dou um passo mudo a perna, avanço sem intermediários para o fim que tanto anseio, já não tenho uma história minha, vou confiante para a corda que me espera, sou aplaudido por quem nunca me quis, avanço com um sorriso de tristezas para que ninguém hoje chore, dou mais um passo e outro e esbarro em alguém, passou-me ao lado, sorriu-me, os seus olhos brilharam como se outro mundo estivesse ali perto, "não, impossível !" pensei eu, tudo histórias de outros livros onde a minha personagem não entra no enredo ... Sigo, e na corda, junto um medo se apodera do meu corpo como que me proibindo de dizer que não tinha mais páginas para voltar, como é que era possível se eu me tornara num lobo solitário, um lobo sem alcateia... Não sei, tudo era novo e diferente, não mudou em nada a minha angustia de genocídio, contudo, deu-me um novo alento, uma vontade de te encontrar. Nesse instante mudei, mudei tudo quanto era, mudei só para que esse olhos voltassem a brilhar junto a minha passagem, depois, mudou-se a vontade, já não precisavam de brilhar por mim, apenas precisavam de brilhar, fosse para quem fosse eu só precisava de os ver brilhar.

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