sábado, 11 de abril de 2009

um mapa de 2008

Deixei passar o ano que envelhecia em torno das minhas lágrimas já secas enquanto esperava pelo nascer do ano que daí advinha, esperava uma mudança de sentimentos e sensações, mas o negro manteve-se negro e o deserto em torno dos meus olhos secou ainda mais. Tudo se manteve, nada mudou, as alterações pertenciam somente ao velho relógio que teimava em avançar os segundos por entre a mesa, uma mesa cheia de ecos, cheia de gente e ao mesmo tempo de vazio, aquele vazio por não te ter a dançar daquela forma endiabrada, daquela forma contagiante, um contagiar de que todos se lembraram ao entrar por entre as paredes de uma casa silenciosa numa noite de nascença de vida. Eu, eu afoguei-me no mais tenebroso cálice de ouro líquido, um ouro que mostra um sorriso por mim perdido já quase á um ano, um sorriso que não consigo voltar a sorrir igual. Levaste-me o último sorriso, não me importei mais, sorri para ti o último sorriso que guardava junto do meu rosto, sorri porque só tu merecias esse sorriso, só tu merecias o meu sorrir. Lancei-me á conquista o “El dourado” dos cálices, fiquei de tal forma cego que me esqueci de onde era, de onde morava, até mesmo, sobre o motivo pelo qual partira a conquista de uma riqueza inexistente dentro do mundo de cálices de vidro! Sem mais motivo deixei que qualquer motivo desaparecesse, e desapareceu após regar a minha alma com os cálices perdidos pelo caminho, cálices de lágrimas que não jorrei por entre estes meses que passaram, pelo caminho tentei encontrar pessoas, encontrar coisas boas que me fizessem prender a alguém, erradamente comecei a vasculhar apenas os aspectos positivos das pessoas, comecei a ver o mundo de uma forma bem mais atractiva, contudo, levei de todas essas mágicas pessoas coices, coices de medo, porque ninguém consegue apenas ver o aspecto positivo, porque toda gente prefere procurar o aspecto negativo para ter pedras para atirar... Lancei-me de novo á conquista, á conquista do meu espaço e do meu tempo, ouvi demasiadas vezes a palavra forte, na conjuntura do “tens de ser forte, isso não te leva a nada”, mas quem sabe, eu escolho os meus caminhos, por mais fáceis ou difíceis de percorrer, mas os caminhos são meus e eu é que decido o que fazer com eles! Deixem-me, estou farto de ser forte, quero voltar a sentir uma lágrima a escorrer pelo meu rosto, quero voltar a sentir como um humano sente, como alguém que não precisa de ninguém, e se tiver de percorrer o meu caminho com líquido do ouro que mostra sorrisos que já não sei sorrir, então é com ele que eu vou caminhar, se mais ninguém estende a mão, então sozinho irei percorrer o caminho que me está destinado! O caminho que me irá garantir a viajem para junto de ti. Esta e o meu percurso de 2008, um percurso de espinho e vales, desertos sem oásis, de mares tempestuosos sem bóias para amparar a forças das ondas que me embalavam, somente porque no seu inicio de percurso, perdi o meu maior alicerce, a minha bússola da vida! Só porque no seu inicio perdi a minha MÃE!

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