sábado, 11 de abril de 2009

Talvez um desabafo



E no rasgar do frio que gelava a noite escura, onde gritos jamais foram escutados, sorria um sorriso murcho, um sorriso sem fôlego para tanta perdição, para tanta desistência do coração que o acompanhava a cada dia de luta interna. O vento soprou, soprou como que mostrando a sua raiva por nada se concretizar a passagem dos desejos apaixonados e perdidos do pequeno sonhador, um sonhador que continuava a acreditar no poder do Amor, no poder da paixão, estando dessa forma literalmente ligado a sua auto-derrota humana. Sentiu-se um enforcado, um corpo sem alma preso a uma realidade de angustia, uma realidade a que não se pode fugir, em que não se pode correr... Perseguido pela razão do incerto, tocou a sirene da consciência, uma consciência que desistira de entender a razão lógica, preferiu virar forte, o forte que chora no seu recanto, o forte que se prende ao desejo amoroso de quem nunca sentira o desejo de amar incondicionalmente sem esperar razão nenhuma... Uma noite fria, melhor, gélida, uma noite de nostalgia para quem apenas se surpreende a si mesmo sem surpreender a sua realidade, uma realidade nada existencial, nada desumana e perfeita... A chuva virou clarão, a chuva virou o tremor de terra, uma terra já abatida, uma terra de cimento que jamais ganharia terra e sustento... Sou-me ouvir por entre os recantos da inspiração, ouvi-a a escutar a conversa, uma conversa única de ser para o próprio ser, uma conversa em que nada se escutaria senão desabafos por entre as folhas perdidas na tarde de Outono, de um Outono que nunca existira, nesse instante e ao ver que me espreitava por entre as sombras do meu dilúvio interior, disse:“Voa, voa comigo! Queres?”Em nada disso a felicidade, a felicidade de quem não conheço o que vivo, um viver como se me conhecesse... Um acordar, um acordar de mau humor em torno do sorriso escondido por entre o rosto cansado de tanto lutar, prefiro fugir, vou fugir... Fujo deste mapa eterno em labirinto que se prende na conversa da noite escura, uma mão dada, um prazer eterno ao ver o teu rosto, o teu sonhar... Sentir-me perdido por entre a terra e o mar, uma mar longínquo da costa, uma mar onde me poderia afogar desta dolorosa equação sentimental... Será que me sinto mais ou menos Homem do que era, do que me tornara? Em nada a lógica me deu resposta, em nada a vida me parecia evidenciar a questão da felicidade, essa felicidade que se espalha no rosto dos mais aventurados desejos de perdição!

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