sábado, 11 de abril de 2009
Passagem
De quem esqueço hoje não me lembro, não me lembro do nome, do cheiro, dos contornos que o rosto de quem esqueço definem, aparentemente de quem esqueço elimino cada segundo da vida que outrora vivi. Lembro-me de quem não devia, não devia porque cada segundo que passa, passa irónico, passa como que afiando a navalha fina pronta a apunhalar em que lhe confia, em que lhe deseja! Esqueço esse desejo, esqueço porque é um desejo que me machuca, que me faz afogar em cada lágrima que não deito, que me faz suspirar em cada sufoco que eu sinto, uma dor, uma dor de tal forma aguçada que nem se mostra, uma dor que permanece ao meu lado, uma dor que os olhos pressentem mas que não se apercebe ao redor de quem não vê! Deixo o tempo passar, deixo porque sei que sairá detonante da minha vida como um explosivo de dentro do mar, soltando gotas de vestígios a sua passagem, então passa! Passa porque eu quero ser eu, porque eu quero que passes sem deixar marca, quero que passes como se nunca te tivesse conhecido! É só isso que quero, apenas que passes sem dizer qualquer palavra, sem que emitas qualquer som, sem nada, como se nunca tivesses cruzado o meu caminho... Todas as pessoas aparecem por algum motivo na nossa vida, mas o nosso motivo deve de ter sido errado, deve de ter sido lapso de um labirinto esquecido por entre os mapas da solidão, preferia ter-me mantido sozinho nas minhas magias de entreter os meus segundos eternos sem que me mostrasses o sorriso esquecido, o carinho que tanto ansiava. Tu, tu que chegaste e pousaste, tu que hoje quero que passes sem deixar marca!
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