sábado, 11 de abril de 2009

Jogo Vivido



Dei por mim perdido num mar de incoerências, perdido num mar de desamparos e de pesadelos reais a que a vida me sujeitara... Encontrei-me desamparado, perdido, esquecido por um mundo de incertezas ao qual não estava habituado! Era um jogo, um simples jogo, um jogo do qual não sabia as regras, não sabia como jogar ou interpretar cada jogada efectuado no tabuleiro, mero peão... Um mero peão fui o que me calhou, sem truques especiais, ou interpretações difíceis, apenas movimentos em frente, olhar apenas em frente sem pestanejar pelo passado... Sem sorrisos nem lembranças, apenas virado para o futuro, o futuro do tabuleiro de jogo, dum jogo que não sei as regras.Joguei, joguei mais uma vez para demonstrar que não tinha medo de perder, lancei os dados, virei as cartas puxei dos trunfos que não tinha, eram apenas trunfos sem valor, trunfos que não me podiam ajudar numa altura em que estava cercado pela mesa adversária! Esperei, fiz bluff, um bluff muito fácil de ser capturado, um bluff demasiado fácil de ser identificado aliás... Tão fácil que nem consegui fazer o resto da jogada conforme tinha planeado, mais uma reviravolta, mais uma paragens neste jogo, este jogo que não percebo, este jogo que não sei as regras!O tempo escasseava, voava por entre os ponteiros do relógio da sala, um relógio que estava somente á disposição de se verificar o tempo em cada jogada, em cada jogada que se mostrava mais difícil ao passar dos ponteiros do velho relógio! Quanto mais o tempo passava mais eu perdia, menos eu percebia, mais eu ficava confuso na interpretação da essência do resultado final...Melhor sem qualquer resultado que se pareça, sem qualquer percepção que pudesse ter sido afligida, tudo porque tudo se resume a um jogo, um jogo onde todos sabem a sua função, onde todos sabem a sua posição, onde parto em desvantagem porque é um jogo em que não conheço as regras, mas jogo, jogo sem saber o que daí advém, do proveito que se pode tirar, jogo porque somente sou obrigado a jogar, porque simplesmente tenho essa função, mesmo que seja somente um peão, essa é a função a que foi predestinado, por isso deixa-me jogar, perder e ganhar, deixa-me lançar os dados e puxar das cartas de trunfo sem valor, deixa-me jogar mesmo que seja para perder, mas deixa-me porque é neste jogo que quero jogar, neste jogo do qual não sei as regras!

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