domingo, 16 de agosto de 2009

Sem título



E na madrugada distante do tempo que em que o fazia sorrir, mantinha-se deitado, deitado por entre o mundo perplexo dos seus lençóis envoltos em sonhos e pesadelos que permaneciam na sua cabeça. A imaginação era fútil, fraca e incompreensível, um remoinho de emoções que levavam á sua inteira confusão... Um baralhar de ideias e sentimentos, algo a que ele próprio nunca conseguira compreender! Era somente os segundos preciosos antes do seu suicídio, a faca pesava por entre os dedos que a agarravam, a faca que serviria para cortar a corda com que se enforcaria... A sua força tornou-se sua inimiga, virou a sua principal fraqueza, mudou o rumo do barco que se estava destinado a suprimir por entre o nevoeiro. Ele sonhou como sempre sonhara, ele que sempre quis ser tudo sem nada ser, hoje tomou a decisão, dura para consigo mesmo, mas numa tentativa de acalmar a ansiedade das saudades com que sempre adormecera. Era hoje, a viajem estava marcada, ele que não quereria perder o transporte que o levaria ao tão destinado destino. Sonhou mais uma vez, sonhou enrolado aos seus lençóis, aqueles lençóis que o lembravam de quando era aconchegado por quem hoje sentia saudades, esses lençóis que faziam dele novamente uma criança de cinco anos. Ele quis mostrar-se a si mesmo que tinha a coragem de mil leões, a força de mil elefantes, mas não, nunca a tivera, sempre fora fraco e medroso... Apenas vivia num mundo de fantasia, num mundo em que ele próprio imaginava-se um herói, alguém a quem todos tivessem respeito, em quem todos temessem... A verdade doía, a verdade levava-o ao seu golpe de não sofrimento, ao findar das dores angustiantes pelo qual passava, ao seu puro e directo suicídio.

Sem comentários:

Enviar um comentário