
Existe um universo que nos rodeia, um universo que se mantém fiel a si mesmo como um caminho que se tem de percorrer, um caminho que se tem de viver. Nada é novo aos olhos de quem um dia o viveu, é metódico e inquestionável, mas é verdadeiro e a verdade é algo que não se nega aos seus próprios olhos. Existem três tipos de amores, o primeiro, o grande e todos os outros. É nesta certeza que eu me compreendi durante este tempo de reflexão que está a chegar ao fim mas que ainda agora começou. São três tipos que não se misturam, nem se substituem. Prefiro falar do primeiro, esse amor que é único na vida de qualquer Homem, de qualquer ser que incondicionalmente vive o sentimento com o sorriso que a vida pretende. O primeiro amor é como uma história de encantar, tudo é puro, os olhos brilham e de certo os corações apertam, mas nunca de forma igual ao apertar do coração do Grande amor. São coisas distintas mas mesmo assim intensas e belas. Tudo começa com o beijo inocente de quem se descobre a si próprio, de quem descobre sentimentos novos, tudo começou aos meus três anos, o primeiro olhar, o primeiro sorriso, o único e inesquecível primeiro beijo. Aquele beijo doce e inocente de duas crianças que naquele momento se tornaram inseparáveis para o resto da vida. Como qualquer história de contos infantis, de princesas e príncipes nos castelos encantados, a vida tentou-nos separar. Nos tempos cinzentos do rosto inocente de quem ainda não percebe a frieza da vida, de quem não conhece que a vida pode ser dura, a vida tirou-te do meu caminho, do caminho de um amigo, de alguém mais que amigo, num patamar que nem a própria amizade consegue classificar de tão grande que é. Caminhos novos, estradas novas a percorrer, vidas separadas... Anos passaram, as crianças cresceram, a inocência já não existia mais... Os jovens inocentes tornaram-se adultos. Mas como todos os caminhos têm de ser percorridos, no momento mais cinzento da minha vida, hoje homem outrora criança, apareceste, o teu sorriso era igual com o qual eu me lembrava desde os tempos de criança, o teu rosto não mudará em nada, estavas a mesma inocente e incrível Paty... A vida voltou a colocar-nos no caminho um do outro, voltou a florir a vida com os desejos de duas crianças que se conhecem desde sempre. O primeiro amor voltou a ser vivido e sentido, mas sempre como primeiro amor, aquele amor que nunca se esquece, aquele amor que muito pouca gente tem o prazer ou a felicidade de o viver como nós o conseguimos viver, aquele amor que não existe, que só existe nos filmes! O Primeiro e único amor, o amor de infância o amor mais sincero.Por instantes pensei que o mundo podia parar, deitar tudo para trás das costas e deixar o vento levar as mágoas que o próprio tempo trouxera... Impossível, o passado não se apaga e o presente é escrito nas palavras que o passado te dá como inspiração. Desta vez o nosso caminho cruzou-se como o destino pretendia, mas não finalizou, outros caminhos vão iniciar e histórias para contar. Os beijos inocente voltaram a ser possíveis e tudo se mostrava guiado e inesquecível, porque tudo o que temos por muito que seja impossível torna-se inesquecível, e isso é o bom de ser sempre o primeiro e único amor, e de ter provado o sabor do beijo como a experiencia que se procurava.Porque o primeiro amor nunca se esquece, porque tudo é puro e porque a amizade que se vive é superior ao que de negativo o universo nos dá!O primeiro amor é e sempre será o primeiro amor, nunca será o grande, nem nunca será como os outros, é simplesmente o Primeiro e inesquecível amor da vida de quem o vive.Mas isso é a beleza do sentimento que o rodeia, e é esse amor que um dia se vai contar aos netos, numa forma de história de encantar, com príncipes e princesas, com aventuras e tristezas, com brincadeiras e travessuras, e é essa história que nos unirá para sempre, independentemente de quão longe possamos estar um do outro. Porque somos e seremos sempre o nosso “primeiro amor”.
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