
Hoje sou diferente do que era há dois anos atrás, não sei se melhor ou pior, apenas sei que me sinto diferente, que me sinto como se houvesse outro eu a morar dentro do mesmo corpo que o meu eu anterior habita. Solta-se o hábito que outrora nunca pensei um dia vir a ter, tal como os sentimentos que crescem como que ervas daninhas, como se não fosse possível travar a sua evolução, parecendo que têm vida própria, que crescem e multiplicam-se por si mesmo! Sinto que mudei os sentimentos e os simples prazeres que dantes me faziam sorrir, hoje não sorrio com tanta facilidade como sorria anteriormente, como se quisessem que eu como Homem me torna-se naquilo que odiava, naquilo que sempre pensei em não me tornar... Perdi o tesouro que me enriquecia a vida, um tesouro inigualável, um tesouro que me levava todo o prazer e que me fazia sorrir somente ao ver o seu rosto ao acordar... Agora, agora é a estrela que me guia, talvez por isso mesmo me tenha tornado um noctívago, talvez por esse facto consiga olhar o mundo somente à noite... Mas a perda de um ser, de um sentimento, de um prazer egoísta leva a perda de muito mais, leva a perda de quem ao nosso lado se vai afastando, de quem vai recriando um novo mundo, um mundo ao qual não quero pertencer, a um mundo que simplesmente me machuca e que ninguém percebe bem a razão. Sinto que me mudo, que estou em constante mudança, não sei se para melhor ou pior, apenas que me tenho mudado a cada segundo. Já nada me seduz, e o que me seduz torna-se no pecado que mora ao lado, no pecado que nunca outrora pensei que me fosse seduzir! A falta que me faz a palavra que prenunciavas, a falta do teu bom senso e do teu simples e caloroso olhar, esse olhar que me mantinha como que protegido pelo teu escudo, por esse escudo que hoje procuro, esse escudo que já não tenho mais, ontem, hoje e para sempre, cada sofrimento é escondido, não tenho forças para sofrer mais, as lágrimas já não correm... Mas um Homem não chora, um Homem é o guerreiro que se deita pronto a morrer...Morrer... Que sentimento tão nobre na hora da angustia, na hora do desespero! Mudanças... Sinto-me a mudar, a mudar de uma forma abrutada, de uma forma repentinamente fútil e rápida! Pára, acalma essa rapidez de mudança, faz com que consiga amar novamente quem eu amei na tua perda, faz com que ele volte, com que ele me sinta como me sentia dantes... Deixa-me ser egoísta a esse ponto! Egoísta... Não, prefiro morrer, quero que a velha senhora me leve, me dê a guarida necessária para uma mudança em definitivo, uma mudança séria e sem volta, como um golpe profundo na mente de quem sofre todos os dias no seu silêncio sorridente, com aquele sorriso muito próprio e muito complicado de gerir. Tudo muda, umas coisas para melhor outras para pior, eu mudei, tornei-me mais frio, gelei! Muda-me se puderes, mas muda-me agora neste instante... Quero voltar a ser quem era com quem era, e isso é impossível... Então prefiro morrer, sem mais falta ou prejuízo para quem hoje consegue viver novamente no seu doce e ternurento sono... Porque eu, eu não durmo esse sono desde que um dia a vida me quis mudar pela força do crescimento, pela força determinada por si mesma como de destino! Eu cresci, mas mudei, mudei para um ser que eu próprio não consigo decifrar nem confiar...Para um homem que prefere morrer e dormir o sono dos justos, pelo menos só por mais uma vez...
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