domingo, 16 de agosto de 2009

Angustia



Escrevo palavras que não sei o significado, palavras que por si só não têm qualquer sentido ou lógica. Escrevo palavras que só a mim me causam tormento, palavras que juntas se tornam sempre na carta de despedida. Aguardo com a calma natural de quem não tem nada a perder pela visita da velha senhora, aguardo porque sei que qualquer dia ela vai aparecer, ela vai me visitar. É uma visita inevitável, só tenho que aguardar pela sua chegada e aguardar de braços abertos, aguardo porque sei que o meu sufoco será eliminado, como que uma cura para todos os males. O vento sopra, o sol aquece como á muito não aquecia, a noite demora a aparecer e os fantasmas de ontem tornam-se os fantasmas de amanhã. Em toda uma vida os fantasmas são aos mesmos, são aqueles que me assombram mesmo acordado, mesmo quando tudo parece finalmente fazer sentido... sentido? Mas que sentido é esse que me ofusca o sorriso por que tanto anseio, não sei como corresponder a uma vida de pesadelos constantes e reais, pesadelos que me levam a ter as ideias mais fúteis de uma viravolta certa no genocídio de uma alma aprisionada pela incerteza da sua própria certeza. Escrevo palavras, palavras soltas, o medo torna-se num presente passado, um presente envenenado pela desconfiança de sentimentos que outrora desejei possuir! Quem ousou vestir o sorriso não sentido, ousou também sentir um sentimento que não conhece, que não sabe decifrar ou explicar, nada faz sentido! Alma de quem chora o choro seco, um choro de lágrimas límpidas e claras como as águas do rio mais natural, do rio oriundo da fonte dos deuses, da fonte dos sentimentos nobres e inexplicáveis... Oh que sentimento eu sinto, este sentimento que me prende o rosto e que não me deixa viver... Soa o apito da vida, um apito que dá o sopro final, o sopro que define o términos dos segundos que ainda me sobram para suspirar! Quero mais, quero sorrir mais uma vez, um sorriso puro no bater do coração, um coração cansado de bater numa vida de incansável solidão. Chove, chove como se chovesse gotas de sangue, um sangramento de eterna euforia pela solidão do ser que chora rios de lágrimas secas pela exactidão do desespero de quem não tem motivos para prosseguir, para prosseguir esse tão desejado caminho que todos querem caminhar mas que são raros os que realmente desfrutam. Então deixem-me, deixem-me suspirar baixinho pelo deambular do sono eterno, deixem-me sossegado, sozinho, no mais calmo sentimento de quem espera e esperará pela velha senhora.

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