domingo, 16 de agosto de 2009

Perdidos



Na noite em que te escrevi, decidi ser um novo ser, uma personagem que nunca outrora havia sido, uma personagem em que tu te interessarias, com quem tu te irias identificar ou melhor, com quem tu terias orgulho em estar, uma personagem com um toque de heroísmo, um toque de charme, um toque de actor de cinema... Tanto que quis ser que nada fui, porque o ser que idolatraste era um ser irreal, um ser manipulado pela vergonha do meu próprio ser, pela vergonha de ser como era, pela simples vergonha de me envergonhar de uma vida fechada ao mundo. “ A lua estava alta, brilhava como um sol perdido no infinito do imenso céu. Tudo á volta do seu luar era esbelto, tudo fazia sentido, nada era em vão, as palavras tornavam-se verdadeiras a cada sílaba que o jovem prenunciava. Os olhos, esses, fitavam os olhares perdidos de quem se sentara a sua frente, nunca se cruzaram, ninguém quis dar a parte fraca, ele, ele era um jovem orgulhoso, um jovem que não poderia fracassar, um jovem que simplesmente não amava, ou melhor, um jovem que aos olhos dos que o rodeiam nunca amara, ela, ela era uma lutadora, uma jovem que se tornara independente, uma jovem que temia tornar-se dependente de alguém ou do simples facto de se poder apaixonar, a paixão tornara-se fútil aos seus olhos, a paixão era levada em seu pensamento como a maior fraqueza que ela poderia adquirir.Soltavam-se palavras, todas verdadeiras, todas verdadeiramente inocentes, o jovem escutava com atenção a cada palavra de quem o congelara sentado naquele lugar cheio de gente, mas ao mesmo tempo vazio, nada os importunava, as horas passavam como relâmpagos, passavam como que correndo, como se o medo de alguém fosse o medo de ambos. Nada os impedia, pareciam crianças, crianças que se expõem sem se aperceber do quão perigoso pode ser essa exposição ao amor. O relógio, esse era o único inimigo, esse que se apressava em avançar por forma a que o tempo se esgotasse!Os olhos brilharam, as imperfeições foram tomadas como perfeições, tudo era perfeito, até a chuva que nunca caiu, poderia ter caído, nada estragaria aquele momento porque tanto ansiaram, aquele momento que nunca fora planeado mas que simplesmente sempre o desejaram. O momento da chávena do café, do café escuro como o carvão, negro como a sombra sem luz, mas uma sombra que eles começaram por explorar, uma sombra que os fazia serem eles mesmo, uma sombra que começava a não pairar, sem mascaras, sem segredos, sem medo do que eram, sem qualquer vergonha de serem quem eram. Nesse momento, no momento curto de tempo, do tempo que o relógio teimava em apressar, eles foram verdadeiramente eles, eles foram puros, eles não se esconderam do que eram, eles tiveram orgulho em serem eles mesmos. Já não estavam perdidos, eles acabavam de se encontrar a eles mesmo!”

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