
E no meio de um turbilhão de problemas eis que nasce o sorriso que se encontrava enclausurado pela vontade de desistir. O sorriso que só por si bastava para que como por magia voltasse a ter a alegria de viver, o seu beijo, um beijo inesquecível, um beijo demasiadamente vicioso... Um vicio que ele sempre desejou ter! “Era Junho, um mês como outro qualquer, um mês de sol quente e noites sufocantes de calores inigualáveis, o jovem caminhava, caminhava por um caminho que lhe era totalmente estranho, um caminho que lhe ensinava a todos os passos algo novo, algo que o fazia crescer como homem. Parou... Olhou ao seu redor, era um frenesim, uns sons que ao longe o faziam querer ir ao seu encontro, andou, caminhou em direcção ao ruído, enquanto se aproximava o som tornava-se mais nítido, mais perceptível, era uma festa, um arraial popular! Gente por todos os lados a andar, a beber, a comer e dançar... Era a alegria contagiante que permanecia na rua, que sugava todos os seus habitantes! Olhou ao seu redor, como que por magia o jovem perdeu a timidez e avançou, nunca vira tal coisa, nunca ouvira aquela música. Correu em direcção ao baile, jovens de todas as idades e feitios, de sorrisos e feitiços, loiras, ruivas, altas e baixas, todas elas dançavam ao ritmo do batuque da orquestra. Apenas uma não dançava, calma e serena, como que esperando alguém que nunca chegara. O jovem agarrou-a, nunca dançou tal ritmo, tal música, mas depressa aprendeu, sorriram, ambos sorriram em direcção um do outro, os pés levitaram, estavam a dançar, nada a sua volta mais importava, apenas a dança. Soltou-se o beijo, um beijo de vício com que sempre o jovem sonhou, um beijo único, um beijo com sabor especial. Fugiram, fugiram por entre o povo, um abraço, um abraço profundo como que querendo prender aquele sentimento, como que não querendo deixar fugir a noite, como que desejando que a noite durasse uma eternidade. Soltou-se o fogo de artificio, meu Deus, o jovem já tinha visto muitas vezes fogo de artificio, mas nenhum dos que vira anteriormente soubera tão bem quanto o que estava a ver naquele momento. Fugiram, mais um beijo, um abraço, um sorriso em uníssono e uma despedida de angústia. O tempo não parara, pelo contrário, o tempo que era pouco fugiu por entre os dedos agarrados pelos dois jovens. A ânsia, a ânsia de voltar a ver o sorriso, de sentir os lábios de sabor inigualável, todo o esplendor do rosto que o enfeitiçara!”
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