terça-feira, 13 de outubro de 2009

Interpretação das questões

Existem perguntas que não devem ser interpretadas, apenas vividas, sem sequer sentir os motivos dos porquês! A interpretação das perguntas pode levar ao desespero das respostas, de respostas que ansiosamente possam ser pretendidas sem se dar tempo a que elas possam aparecer espontaneamente… A pretensão das respostas é naturalmente humano, é uma simples necessidade de saber se o que queremos ou estamos a fazer é o certo, é simplesmente o que nos fará bem, mas, e se a resposta não tiver que ser imediata? E se a resposta for uma necessidade lógica e intemporal? Então aí as certezas iriam tornar-se incertezas, ou não fossem elas já uma incerteza de qualquer felicidade… A necessidade de saber que a aposta que se faz é a aposta certa leva ao erro de simplesmente não apostar sem qualquer certeza, e o que hoje pode ser certo amanha pode nem sequer coexistir na sua realidade, tornando-se numa decisão obsoleta com a qual teremos de viver! Na incerteza das respostas às minhas perguntas surge a necessidade simples de somente viver, viver em busca de uma resposta totalmente intemporal, de uma resposta que simplesmente me possa levar ao tão desejado “nada”, um “nada” cheio de tudo, de todas as certezas que nunca poderão ser certas. O destino é o mapa, é o rumo que deverá ser correcto ou transposto, mas não o que obrigatoriamente terá de ser percorrido, os caminhos são vários, nós temos o poder de decidir qual o caminho que escolhemos, mas então e as certezas que esse caminho é o correcto? Não existem, ou melhor, nem poderão existir, caso contrário o certo tornar-se-ia errado e o errado tornar-se-ia certo e nesse simples instante todas as questões não existiriam mais e como tal deixaria de fazer qualquer sentido a busca incessante às suas respostas! A interpretação das questões mais simples, levaria também á simplicidade das próprias respostas ou motivos que nos levaram a questionar esse mesmo “porque”, qualquer momento poderá ser considerado “mágico” desde que seja levado na sua total inocência, agora, se nos esforçarmos a tentar perceber o seu real motivo, esse mesmo momento poderá ser levado com incoerente, infantil e inoportuno, mesmo que estas três palavras juntas possam ser designadas como espontaneidade a qual me levaria novamente á palavra mágica… Existem possíveis decisões baseadas em pensamentos, em escolhas oportunas de desejos físicos e não sentimentais, obviamente que isso existe, contudo não poderemos nunca solicitar que essas mesmas escolhas possam perpetuar todas as restantes escolhas… Certamente que poderia escrever mais mil uma palavras, escrever mais mil texto ou até mesmo um livro inteiro que em nada, nem mesmo a mim, mudaria a vontade de interpretar todos os porquês da vida, muito menos os porquês do “amor”…

Na nossa mais pura inocência, por vezes deparávamo-nos com aquela pergunta mágica: “Gostas de mim?”, e na sua mesma inocência eis que automaticamente dava-mos três possíveis respostas: “sim, não ou talvez?”, e nesse mesmo instante eis que morria o nosso bilhetinho mágico. A nossa interpretação da nossa dura questão era somente o sim ou o não porque raramente a resposta “talvez” era dada. Hoje, passados alguns anos, a experiencia diz-me que a interpretação é levada á palavra talvez, pelo simples facto de ser a palavra que melhor se enquadra em tudo! Mas nunca que será a mais pura, apenas a mais socialmente correcta!

A necessidade de nos sentir-mos concretizados nasce da próprio medo de falhar, no medo que sentimos naquele instante de meros segundos em que tudo pára á nossa volta, e é nesse milésimo de segundo que eis que surge todos os “porquês”, desde os mais simples aos mais complexos, mas os mesmos eternos “porquês”… Na nossa simples fantasia criamos mundos paralelos aos que na realidade vivemos, transformamos esse nosso mundo imaginário num mundo simples e perfeito obrigando-nos a viver nessa mesma condição no nosso mundo real, essa obrigação leva-nos a criar o medo em falhar, e esse mesmo medo leva-nos a querer efectuar sempre as escolhas certas e de preferência da forma mais simples. E essas preferências pelas escolhas simples criam a complexidade da interpretação das questões, das questões intemporais que apenas têm de ser vividas e não interpretadas.

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