quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Confusão...

Seria demasiado óbvio que depois de tantas luas passarem ao meu lado pudesse hoje ficar confuso? Sentado, um café, um amigo, uma conversa, um momento de dilacerações da minha mente, apenas e somente uma confissão. Falo apenas de erros, pesados erros que cometi no infortúnio tempo de uma adolescência que de certa forma sempre foi absorvida por erros! Erros de que hoje me lamento, erros que simplesmente pensaria certamente em os corrigir se isso fosse colocar novamente o sorriso no meu rosto, egoísta? Certamente que sim, transporto o sentido do egoísmo na tentativa de uma felicidade que teima em fugir por entre espaços que não consigo transpor para a tentar novamente apanhar… Seria mesmo o bloqueio de uma comparação desajustada a uma natureza que fez de mim quem hoje sou? Serão os parâmetros de comparação tão injustos que me entreguem ao sufoco da solidão? Serão esses parâmetros do mais cruel que exista para quem se aproxima? Sinto-me por vezes uma animal selvagem, ferido, magoado, com medo de tudo e de todos, com a sensação que tudo o que de bom aparece mais tarde dará a machadada final, uma machadada que deitará por terra todo o esforço que despendi para me ver crescer novamente, um esforço que despendi inutilmente pois nunca cheguei a lugar algum com tanto esforço. Serro os dentes enraivecido como se de certa forma a culpa deste meu pesar fosse de alguém a quem não consigo deitar as culpas, como que querendo arranjar um culpado, e o único culpado que arranjo não passa apenas de uma sombra desbravada por memórias, por memórias que nunca as tive, que nunca presenciei, que nunca vi em forma ou relato próximo. Queria esquecer os meus tormentos, os meus suspiros perdidos em lençóis com cheiro a amaciador, um cheiro doce que por si só já me enjoa de tão suave que me tenta parecer… Confuso? Com que direito poderei eu estar confuso quando jogo com o tabuleiro da minha vida, com peças de vidas que de certa forma se prenderam às minhas regras, a estas regras tão inúteis que me trazem somente o suspiro das minhas desilusões!

Distúrbios, na minha mente desarrumada e perdida de bons costumes, distúrbio de expressão que simplesmente se prendam no invicto espaço temporal de uma sensação que teimo em tentar esquecer e não consigo. Terei perdido eu a real noção do amar? Poderei ter eu perdido o poder de amar, de gostar? Sombras, sombras cinzentas que teimam em pairar na minha cabeça, que me sufocam a cada instante, que me prendem no raciocínio inglório do que é certo ou errado, do que posso ou não fazer, do que simplesmente penso! Terei eu tanto a dizer que nunca o conseguirei dizer? Confuso, extremamente confuso, uma confusão que me afoga nas verdades que não sei distinguir do seu anonimato!



1 comentário:

  1. Já li. Gostei muito. Perguntas justas, algumas com respostas claras... Sei que amarás da forma que sonhas, no momento certo, momento esse que talvez seja o mais inesperado... Amas hoje, já, e todos à tua volta sentem isso... Ou pelo menos eu sinto-o e de forma muito clara! Transbordas amor meu amigo, e esse tem formas diversas e nem sempre claras de se expressar. Mas desde já reforço: Transpiras amor, e todos te agradecemos por isso!

    Grande abraço

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