Da noite para o dia, julgo no senso comum das minhas decisões, determinei a vontade de acreditar, acreditar nas coisas, nas pessoas, nos desejos e vontades, determinei em mim uma decisão de simplesmente acreditar em tudo o que respire e não respire, em tudo quanto brilhe e em tudo o que seja fosco... Acreditar no mero sentido da sua essência. Acreditar só porque se acredita, sem questionar, sem duvidar das palavras que oiço ou dos actos que vejo! Que sorte, poder acreditar em tudo outra vez, que sorte em ser novamente puro ao ponto de não ver maldade em nada do que se possa fazer, tudo natural, tudo puramente natural!
Da noite para o dia senti essa necessidade em acreditar em tudo, em acreditar que as mudanças são feitas por nós, que as escolhas são direccionadas e dirigidas pelo nosso costume, em suma, que poderei acreditar apenas ouvindo o ancião de um povo que de certa forma já o deixou de ouvir, eu quero acreditar nas suas sábias palavras, sentar-me e ouvir as delicias que ele tem para dizer, beber a sua sabedoria sem questionar somente porque vivo num mundo informatizado em que o pensamento que já não usamos nos é resolvido por uma máquina, uma mera peça fria que não respira o sentimento que nós tendenciamos a respirar mas que de certa forma tentamos asfixiar!
Da noite para o dia, na noite fria de inicio de inverno, quis acreditar novamente nos sentimentos que nos eram transmitidos e nos valores que nos eram incutidos enquanto jovens, enquanto jovens inocentes que nunca souberam ao certo o poder que tinham e têem nas mãos... Quero acreditar de certa forma que esses sentimentos e valores ainda existem, que não se perderam, que andam somente escondidos e que mais cedo ou mais tarde voltarão para mostrar toda a sua força e todo o seu esplendor!
Da noite para o dia toda a essência de uma realidade se transformou, mudou de sentido, toda uma imagem que parecia a certa, a correcta, tornou-se na obsoleta ideia de ver as coisas enquanto um Homem que não sente que não possui qualquer consciência, e nessa noite, nesse caminho em que a noite vira dia, a consciência que pensava errada mostrou-me a necessidade de repensar as escolhas que já tinha escolhido, criou-me a necessidade voltar a viver pelos velhos costumes, aqueles costumes que pensei nunca um dia virem a ser precisos!
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