segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E agora?


Questiono-me no leito da minha cama aquando da hora de deitar…


E agora?


Será este o meu último sonho? Terei eu lugar a sonhar por entre os esforços de sorrir novamente?


E agora?


Nada sei, não sei o que sou, não sei o que vivo ou como vivo sequer… Do meu corpo nasce o pecado que acende a vela da ressurreição, acende a vela como que fazendo uma mera transacção comercial…


E agora?


Quem sabe ou saberá? Quem poderei eu achar por entre a neblina que paira diante dos meus olhos, e que simplesmente me ofusca e turva toda e qualquer visão real do aparato que simplesmente me cega, quem poderei eu achar e invocar as explicações de todos os meus porquês?


E agora?


Nada de nada, somente um nada redondo que se escreve de forma desafiadora, um nada implícito na sensação de ser somente ar, um ar que seja necessário a alguém!


E agora?


Esqueço os porquês… esqueço os “agora” e deixo que o vento me transporte como que voando num papagaio de papel, sonhando por entre as nuvens de todas as imagens e feitios.


E agora?



Deixo o tempo passar, continuo deitado e aguardo calmamente para que seja entregue o passe para te voltar a ver, sei que me receberás de braços abertos, nesse recanto tão nosso que existe dentro de mim. Sonhar contigo é como sonhar com o mais belo paraíso… Agarrar-te é o meu desejo, cheirar o teu perfume é o calcanhar de Aquiles…

Sombras, sombras cinzentas que se juntam em torno da minha imagem e do meu ser, nuvens que simplesmente se deslumbram com todo o sentido nato de vida, salteadores de paixões, de amores, salteadores de sonhos e promessas que não mais poderá cumprir. Então aguardo, aguardo pela morte, aguardo pela certeza dura e crua que de certa forma somente ela me trará.

 
 

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