Hoje do pouco que me entendo descobri que tenho e posso ter medo, aquele medo de viver despercebido e esquecido por entre os espaços das mensagens que não recebo, dos olhares que não troco e da vida que não vivo. Hoje do muito que nada sei, aceitei o medo de ter medo, de crescer por entre os espaços vazios da vida que me resta, do sussurrar que liberto ao ventos que me desprezam e aos dias que passam sem eu dar conta. Medo, medo de crescer e ser adulto, da responsabilidade que dai me é implícita, um medo ofegante que sinto e não consigo largar, um medo de deixar de sorrir quando o sorriso por vezes falha... Falo mais alto quando a razão assim me desconhece, quando me perco no momento em que deveria saber continuar pelo caminho desalinhado... Não sei como e porque me sinto como se estivesse ao lado de água e não soubesse eu nadar, morrendo por isso de sede, de uma sede eterna de quem espera sobreviver com uma vida de sorrisos e glórias impossíveis de alcançar.
Sonho perdido de menino virado em angustia de homem crescido, de um homem que cresce sem que possa ou não transparecer a imagem do que de certo modo adquiriu, envelheceu talvez mesmo da imagem de quem amadureceu com o tempo que já passou!
Medo, sinto um medo de estar preso ao preconceito do tempo para sorrir, do sorriso com determinado tempo e de saber que nada me faz o que outrora pensei eu próprio poder fazer sozinho... A felicidade que sinto sem ser possível ser feliz transborda pelas sombras que me perseguem nos dias e noites mais calorentas, sombrias e invioláveis, noites que parecem estar protegidas por entrelinhas que se aprisionam das lágrimas que não derramo, dos suspiros que já não dou e das histórias que já não vivo.
Dizer que sim quando seria um não a ser dito, tentar-me esquecer do que simplesmente não esqueço, sorrir, sorrir por entre sorrisos cínicos que deixo que saiam para que ninguém se aperceba que já não sei mais sorrir... Disso tenho medo, já não sei superar a necessidade de me proteger, medo, medo de errar superficialmente das memórias se vão apagando por si mesmas, melhor, que eu vou apagando para que me esqueça do que é ser realmente feliz!
Hoje esqueço-me do que é ser realmente feliz, esqueço-me para que possa também esquecer do medo que tenho em não o conseguir ser!
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