terça-feira, 6 de abril de 2010

Uma mentira nunca fez mal a ninguem!


Será a verdade mais valiosa que uma mentira?

Do conceito simplista e uniforme aconselhamos a verdade á mentira, mas, e quando a mentira é dita? Será errado utilizar sempre a mentira?

No leito da tristeza uma mentira pode por vezes ser uma luz ao fundo do túnel, pode ser a lufada de ar fresco que faltava naquele espaço de ar pesado e cansado. Por vezes uma mentira pode levar a sinceridade do que sentimos ao redor do que a verdade pode algum dia alcançar, a mentira pode nem sempre ser uma “má” mentira, será?

Crescemos com a razão lógica do “mentir é feio” e do “quem mente não vai para o céu”, mas e se a mentira que dissermos fizer algo de bom por alguém? Serei eu condenado por fazer esse bem? Serei eu sacrificado pelo bem de outra pessoa? Nesse caso o sacrifício por alguém sem segundas intenções não é uma coisa boa? E com coisas boas não vamos para o céu? A mentira neste caso virou um purgatório, um meio entre o bem e o mal, ficou no intermédio do que a razão conhece ou tão pouco desconhece! Poderemos nós nos desculpar pelo facto de o desconhecimento não poder ser levado como uma mentira? Nós vivemos numa área extrema de desconhecimento, vivemos na perspectiva das suposições e possibilidades, precisamos de viver com algo que nos sirva de apoio, mas, será esse apoio também uma mentira?

Nós vivemos numa apoio que dura á mais de dois mil anos, dois mil e dez para ser mais preciso, um apoio que move montanhas e multidões. Vivemos constantemente uma crença que tão pouco pode ser mentira. Ao longo de um percurso vivido desde a infância até á actualidade é-nos incutido a imagem do paraíso, mas será esse mesmo paraíso uma verdade?

Imaginando o seguinte cenário:

No leito da morte de um ente querido, que já sem forças resiste a cada segundo agarrando a nossa mão, ouvimos a seguinte frase:

“Tenho medo, tenho medo do que vem a seguir…”

Como é que poderíamos reagir?

Na primeira opção escolherei a verdade.

Levando a cabo a nossa aprendizagem certamente que nos tornaríamos brutos e insensíveis, mas ao menos tínhamos sido verdadeiros e nessa verdade resultaria uma frase de “apoio” idêntica a esta:

“Estás a morrer, não tens mais nada com que te preocupar!”

Esta é a pura das verdades, mas será a mais correcta? Podemos nós ser tão correctos ao ponto de retirar a ultima lufada de felicidade que resta a quem nos pediu apoio? Será que esta verdade nos tornaria mais merecedores do chamado “Paraíso”?

Como segunda opção vem a mentira:

Automaticamente crucificada á nascença surge a frase de “apoio” aprimorada, falseada, quiçá até distorcida idêntica a esta:

“Não te preocupes, vais ingressar numa viagem bem melhor do que a que viveste até agora, vais correr por entre prados verdejantes, vais reencontrar as pessoas de que tinhas saudades, essas vão estar a tua espera para te abraçar e mostrar tudo o que de bom existe no paraíso. Vais para um lugar cheio de amor, felicidade, vais para um lugar onde o mal não existe, para um lugar maravilhosamente mágico!”

Certamente esta seria a primeira a ser escolhida por nós, mas, certamente também será aquela que mais mentiras emprega, ou que mais suposições pinta! Esta frase levaria a cabo a criação em cadeia de uma rede de mentiras que se alargariam por entre os diálogos mantidos pelas duas pessoas… As perguntas começariam a surgir e como respostas mais mentiras seriam dadas, mas o sorriso seria automaticamente esboçado no rosto de quem mais precisa!

A escolha deixou de ser lógica para passar a ser complexa, qual a possibilidade de a mentira ser tão má assim? Então afinal pode existir mentiras sãs?

Incrivelmente num dos exemplos que dei, existe a expressão:

“…vais ingressar numa viagem bem melhor do que a que viveste até agora, vai correr por entre prados verdejantes, vais reencontrar as pessoas de que tinhas saudades, essas vão estar a tua espera para te abraçar e mostrar tudo o que de bom existe no paraíso…

Este excerto encontra-se no exemplo utilizado para dar um réstia de esperança através de uma mentira, contudo, refere no mesmo sitio que só podemos encontrar se formos verdadeiros e dissermos que:

“Estás a morrer, não tens mais nada com que te preocupar!”

Estranhamente usamos o termo da verdade para nos levar a um local que simplesmente falamos quando utilizamos expressões incorrectas derivadas da mentira, o que nos leva a um interregno de decisões e de conflitos de assertividade emocional. Por outras palavras ficamos balançados num meio que não reside em nenhum lado?! Nesse caso a pergunta mantêm-se, pode ou não pode existir mentiras sãs? Serão todas as mentiras más?

E neste baralhar de ideias, poderei eu dizer que a “fábula” da religião cristã é uma mentira sã? Será a nossa religião uma simples lufada de ar fresco num desespero de poder um dia morrer e tornar-se apenas numa simples memória na melhor das hipóteses? Mas se for então de que forma se pode castigar um mentiroso? Como é que alguém que mente vai ficar complexado na situação de não poder ingressar no paraíso, se, evidentemente nesta situação o mesmo nem sequer existirá?

Afinal, na realidade poderemos utilizar a expressão de quem um dia já mentiu que:

“Uma mentirinha de vez em quando nunca fez mal a ninguém!”

Será?







http://www.youtube.com/watch?v=5p0p7ppxY20&feature=related

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