
Parece que o mundo simplesmente parou, estagnou, parece que o mundo deixou de rodar, que o tempo congelou por entre os ponteiros dos velhos relógios que teimavam em controlar os segundos que deixava viver a cada dia! Parece que o mundo deixou de ser o que sempre foi, o mundo não sorri mais, ou possivelmente serei eu que já não sei sorrir e como tal poderei não conseguir contemplar o esplendor do sorriso que não vejo mais! As cores suprimem-se, fogem deixando tudo o que existia no simples preto e branco, mais preto que branco, num cinzento que não me deixa sequer ver qualquer outra cor, nem tão pouco o puro e simples branco… O mundo congelou, esfriou, o calor do sol deixou de se fazer sentir, não o sinto mais, o meu corpo está frio como um corpo sem espírito, como o corpo estendido á espera da sua ultima caminhada da decomposição, sinto-me frio, sem espírito, sem sentido e sem qualquer destino… O mundo não roda mais, estagnou, deixou-me perdido sem qualquer caminho a percorrer, o mundo não avança, obrigou o tempo a parar, e eu parei junto… Parei sem qualquer outro motivo que me fizesse avançar, tudo a minha volta avança e eu, eu permaneço no espaço intemporal que teima em que os ponteiros do velho relógio não o contabilizem, tudo á minha volta avança, cresce, e eu, eu não, eu teimo em não avançar, e quando tento o mundo obriga-me a parar no seu eterno purgatório, um purgatório de almas ainda com vida, de corpos que ainda sentem… Dói-me, sinto uma dor incontrolável, uma dor que teima em não passar, uma dor que me prende a uma época que deveria tão pouco ser acompanhada de uma evolução lógica, de uma evolução que teima em não começar em mim… Parece que o mundo… Qual mundo? O meu mundo deixou de existir faz muito tempo, o meu mundo nunca existiu, vivi num retrato inglório de uma vida que não a minha, de uma vida que era vivida e somente copiada por mim, sem decisões, sem ambições, sem qualquer sentido pessoal numa vida totalmente impessoal, por isso deixo que o mundo congele, pare, estagne… Deixo que o mundo me prenda neste segundo que teima em não avançar, e é neste segundo que me prende que suspiro pela corda que me liberta, uma corda entrelaçada no seu próprio corpo que me levará ao tão esperado equilíbrio universal, e será nesse equilíbrio que o tempo prosseguirá novamente o seu rumo, o seu caminho, sem mais qualquer obstáculo… Parece que o mundo simplesmente parou, já não oiço mais os tic tac´s do meu relógio, do velho relógio que teimava em controlar todos os segundos da minha vida!
http://www.youtube.com/watch?v=YlRhs1Wb7wo&NR=
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