Ouvirei um dia os pardais falaram por entre as brechas da minha janela, ouvirei um dia o sussurrar do vento dizendo aquilo que o faz mover, ouvirei um dia os próprios sonhos que por mim foram sonhados e nunca entendidos, ouvirei um dia o seu chamamento, o chamamento que terá a tua voz, a tua doce e angelical voz, a voz que me embalou, a voz que me educou, a voz que me esculpiu a personalidade forte que hoje tenho! ouvirei um dia o sol a acordar, ouvirei um dia o mar a chamar o areal que o abraça, ouvirei um dia as nuvens reflectirem por toda uma história que nunca perceberam, ouvirei... ouvirei um dia... E quando ouvir, certamente o meu corpo permanecerá quieto, gélido, pálido e sereno enquanto o meu espírito abraçará as margens do rio Tejo, o rio que banhou a cidade, o rio que tantas vezes o aconchegou! Ao ouvir todos esses sons destemidos e puros, o corpo será somente uma massa inexplicávelmente indiferente a toda a razão que venha a existir... Mas sim ouvirei um dia, mas não hoje, hoje dormirei o sono dos justos, o sono de quem não teme pois foi leal a si mesmo... Quando ouvir... Quando ouvir é porque atingi o meu destino, e aí, bem aí certamente irei florir como o sol num acordar de verão!
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