Hoje dedicaram-me uma música, uma lembrança de menino, dedicaram-me uma saudade do tempo em que simplesmente o tempo nem sequer existia, um tempo que tudo era bom sem nunca ser perceptível, em que tudo o que acontecia e me fazia sorrir era porque tinha de ser e nunca porque a felicidade tinha batido naquele instante neste corpo incrédulo e cego! Ao ouvir a música retrocedi os ponteiros do relógio, do maior que tinha junto a mim, retrocedi para que eu próprio pudesse retroceder no tempo, retrocedi os ponteiros mas não retrocedi o presente, esse avançava independentemente dos ponteiros que eu teimava em atrasar, avançava correndo cada segundo no seu preciso movimento... Saudade dos meus três anos, da minha infância, dos teus abraços e do que simplesmente representavas, saudades, tamanhas saudades que quando penso ainda me destruo de pensar no que simplesmente poderia estar a viver ao teu lado, destruo-me pelas saudades que sinto, pelas saudades que apertam o meu peito de tal forma que espremem as gotas de lágrimas que pensava já estarem extintas do meu corpo! Pensar em ti é pensar em toda a felicidade que já não tenho, que gostaria de ter mas que simplesmente perdi sem poder sequer achar novamente, perdi-te por entre os ventos que sopraram naquela noite em que simplesmente não consegui adormecer... Estranho... Estranho como uma simples música pode puxar sentimentos que escondemos, pode puxar as lágrimas que já não derramamos... Estranho... Estranho como uma música que já nem sequer me lembrava que existia poderia ser tão influente em mim, poderia ser tão poderosa ao ponte de me derrubar! Lembrei-me de imensos tempos, tempos que voltaria a viver se eu próprio pudesse viver, ao ouvi-la senti-me como o enforcado, com a corda no pescoço à espera do golpe de misericórdia que tarda em chegar!
Tempos, lembrei-me do tempo em que nem sequer havia tempos, em que tudo era feliz e puro, em que o tempo se baseava somente na claridade do sol, em que o tempo eras tu quem o delineava, em que o tempo era medido pelo tamanho dos teus abraços, tempo, esse tempo que já não vivo, esse tempo que me faz falta, esse tempo que perdi sem ter opção de o poder voltar a achar... tempo... tempo... Tempo que não te dei e hoje me arrependo, o mesmo tempo que passei e sorri contigo, o mesmo tempo que voltaria a viver se conseguisse retroceder os ponteiros do maior relógio que habita na minha casa!
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