terça-feira, 9 de março de 2010

Palavras silencias


Estranhamente sinto que me deixo repousar por entre as sombras que continuam a pesar no pouco que tento saber... Sinto que sou apenas um leveza transportada por entre os sopro que o vento lança por entre as palavras que jamais falei. Sentei-me, sentei-me numa simples mesa e absorvi com os meus olhos o brilhante e dourado whisky com que me tentei satisfazer, não para esquecer nada que fosse para esquecer, apenas para me libertar de certas correntes que me fazem prender a vontade que tenho de por vezes dizer o que sinto sem qualquer pensamento do que possa ser correcto ou errado, sem qualquer preocupação, apenas dizer... Das palavras que não digo nasce o sofrimento que guardo, a repartição do meu corpo divide-se simplesmente em águas paradas que transbordam como em dias chuvosos as margens dos rios com menos caudal.
Olhei-te e lembrei-me de como tinha saudades tuas, apesar de nada dizer, de nada fazer para as matar, lembrei-me... Congelei mais uma vez, e falei como uma criança que não tem assunto, ou que pelo menos o perdeu naquele instante. Já não acredito nem em mim mesmo, não acredito em nada do que acho que sinto... Lembrei-me de ti, lembrei-me das palavras que não disse e por isso pedi novo whisky, não para esquecer mas para reavivar as memórias perdidas por entre vontades que nem eu sei de onde vieram, mas que simplesmente vieram! Memórias, ah memórias que o tempo me teima em trazer, que o tempo não deixa apagar... Deixei-me contagiar por esse medo, esse efémero medo que simplesmente me obriga a impor silencio nas minhas palavras, nas palavras que te quis dizer e nunca disse, nas palavras que te escrevi nas cartas que te mandei em branco!

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