sábado, 9 de janeiro de 2010

Escolhas

Cheguei á indecisão da resposta da moeda ao ar, um mundo novo que me aguarda e espera e outro que me prende pelas simples lembranças de uma vida inteira, uma vida inteira de apenas lembranças! Lancei a moeda, das mil voltas que deu passou-se uma eternidade até á sentença, uma sentença que preferi nem sequer ver tendo apanhado a moeda e a guardado no bolso novamente para continuar a viver na indecisão dessa escolha que me elevava ao suposto Universo dos adultos… Mas não quero escolher, essa decisão transformará eternamente a actual vida, fará de mim o adulto que ainda não sou, essa decisão obrigará a que eu cresça repentinamente… Não quero escolher! Vou fechar os olhos e fingir que nada se passa, que não quero nada, que nunca nada aconteceu… Vou fingir que morri, que nem sequer vivi um dia, um dia que fosse da minha vida de lembranças. Não sei o que fazer, como fazer, o que escolher ou até mesmo como escolher, tento amordaçar a minha boca para que a mesma não diga nada que não quero escutar, não quero que ela tome decisões que não estou preparado… Se calhar chegou a hora de deixar o ninho, deixar para trás toda e qualquer protecção para me aventurar numa nova página, numa nova aventura, quem sabe? O meu sorriso aqui dificilmente voltará a sorrir, o meu sol já não brilha como brilhava, vivo sozinho numa casa cheia de gente, numa casa que oiço vozes mas que não interpreto, vivo no meu estranho mundo, um mundo que simplesmente já não me faz viver as alegrias com que sempre vivi, e agora tenho de escolher! Seriamente sou adverso às mudanças, e mudar complica a minha possível confusa consciência, uma consciência que perdi quando nada mais tinha a perder, apostei alto, apostei a minha insanidade e dela não vi qualquer fruto… Procurei tanto de tanta gente que nunca achei nada de ninguém, apenas o devaneio de qualquer louco da calçada que fala consigo mesmo todas as teorias que da sua loucura tomou conhecimento. É noite, uma noite como tantas outras, uma noite que me prende aos pensamentos que me seguem por tantas noites desde a passagem de ano. Ano novo vida nova, mas não tem de ser assim, seria tão melhor fechar os olhos e esperar que se resolvessem todos os dissabores que vivemos naquele espaço intemporal chamado Vida! Vida… Que vida esta que me foi dada, nascido para nunca perceber as questões simples, para nunca ter resposta assertiva e confiante, sinto-me como se me afogasse no meu próprio suor sem ter qualquer força para me salvar de algo ao qual nunca fui imune, a minha própria consciência me atraiçoa, tenta vigar-se de mim de algo que nunca percebi o que era!

Decisões, meras decisões que nunca consegui tomar, decisões que pesam a cabeça que se deita na almofada nas noites negras e profundas que me tem perseguido desde o nascer deste capítulo… E sinto que este virar de páginas é somente mais uma imagem do que não sei descrever mas que de certa forma sei que tenho que o viver…

Lágrima, salgada como o sabor da esperança na aventura do Oceano, do oceano que faço nascer quando peso os prós e os contras das minhas decisões, mas decido apenas que não quero ficar longe do meu elo principal, do sorriso que ainda me alegra, e nessa decisão fecho os olho e abro caminho até ti!

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