Amordacei a minha mente, amarrei-a junto da consciência que predominantemente me marcava e catalogava a cada segundo que vivia. Pensei em nunca mais soltar uma palavra que fosse, mesmo que fossem das mais simples e casuais, nunca mais soltaria nenhuma das palavras, as palavras fizeram-me perder a razão, machucam quem as ditou e predominam na subconsciência que nos delimita os sonhos... Dizer as palavras foi como soltar o espírito que tinha em cativeiro, agora, agora já não tenho nada de nada, o espírito já não permanece e nisto vivo num vazio que nunca pensei viver. Olhei em volta e nada me cativava por forma a que não desse o passo, dei, voltei a dar, dei tantos passos que quando dei por mim corria desenfreadamente por entre os espaços vazios que tinha, então corri ainda mais, corri e corri, corria como se a minha vida dependesse disso, mas não dependia, a minha vida já tinha ficado para trás á muito tempo, perdida no areal de uma calçada de momento irónicos. Parei, respirei fundo o que por muito tempo desejei não respirar, respirei, inspirei o fresco sabor do "nada" que nada tinha, levantei a cabeça e voei, já não corria, agora voava por entre os sonhos que deixei de ter, por entre as nuvens que aconchegavam a minha chegada, voei por vários dias e várias noites, voei por entre "nada" do nada que havia para voar!
Corri, voei de mente amordaçada, a minha mente morta tentava ressuscitar e hoje libertou-se de males passados, hoje esses males não a reprimem, hoje esses males sentam-se á mesa com a mente, voam e correm juntos, até um dia, até ao dia em que... Bang...
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